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ALMG: Regulação e incentivos para armazenar energia são defendidos

ALMG: Regulação e incentivos para armazenar energia são defendidos

Tecnologias e métodos de armazenamento podem auxiliar o sistema elétrico do país

Participantes de audiência pública da Comissão das Energias Renováveis e dos Recursos Hídricos defenderam, nesta quarta-feira (21/08/19), a criação de marco regulatório e de estímulos para empreendimentos que busquem desenvolver tecnologias de armazenamento de energia.

O presidente da comissão, deputado Gil Pereira, autor do requerimento para a reunião, falou sobre a importância do tema: “Debatemos essa questão relacionada ao armazenamento de energia elétrica através de baterias, especialmente as feitas a partir do lítio, elemento químico bastante reativo, presente em expressivas reservas em Minas. O custo desses equipamentos pode ser bastante reduzido para uso geral, com a fabricação em escala.

“O diretor de Pesquisa e Desenvolvimento da Associação Brasileira de Armazenamento e Qualidade de Energia (Abaque), Alexandre Bueno, destacou que o setor, ainda incipiente no Brasil, poderá crescer com maior velocidade a partir da implementação de marco regulatório. “E a legislação específica de incentivos fiscais pode atrair investimentos privados”, explicou ele.

Alexandre Bueno informou que em países nos quais não há recursos hídricos suficientes, para suportar a instalação de usinas hidrelétricas, o desenvolvimento de outras fontes de energia e o seu armazenamento são questões tratadas como estratégicas. “No Brasil, 70% da geração de energia ainda está vinculada ao uso da força hidráulica das águas para a produção de eletricidade, ou seja, o foco reside ainda no sistema tradicional”, ponderou ele.

O diretor da Abaque esclareceu também que, nesse sistema, a energia disponibilizada tem uso conforme a demanda dos consumidores. Já os dispositivos de armazenamento proporcionam ao operador do sistema a flexibilidade de utilizar a energia elétrica que poderia ser perdida em outro momento.

Geração e carga

As tecnologias e os métodos de armazenamento permitem alcançar certo equilíbrio entre a geração de energia e a carga: “O armazenamento possibilita deslocar a energia no tempo. Se a produção for maior, o equipamento armazena a energia excedente, se for menor, a demanda é dessa forma suprida”, disse o engenheiro.

Esses sistemas que armazenam energia elétrica são relevantes em comunidades situadas em regiões remotas, sem acesso à rede elétrica, em equipamentos eletrônicos que devem funcionar sem estarem conectados a tomadas e, também, no caso de disparidade entre a oferta e a demanda de energia na rede.

O diretor Alexandre Bueno lembra que essa discrepância se deve, por exemplo, ao fato de as fontes renováveis, tais como a energia solar e eólica, serem intermitentes, ou seja, não há geração de energia quando não há sol ou quando não existe vento.

Lítio é considerado a grande aposta de Minas

As baterias figuram entre as possibilidades de armazenamento de energia, sendo que esses dispositivos transformam em corrente elétrica a energia desenvolvida numa reação química. As baterias feitas a partir do lítio, elemento químico altamente reativo, têm ganhado cada vez mais espaço porque são capazes de armazenar grande quantidade de energia e ainda têm formatos leves e pequenos. E foram descobertas em Minas Gerais jazidas significativas do mineral, constituindo a maior reserva do Brasil.

Alexandre Bueno afirmou que possuir o mineral não assegura ao país sua participação no mercado internacional. A Bolívia, por exemplo, detém a maior jazida de lítio conhecida, mas não o beneficia ou tampouco tem empreendimentos no setor. O Brasil, segundo ele, contribui com apenas 0,4% da produção mundial, mas tem capacidade de dobrar esse percentual até 2020.

O deputado Gil Pereira afirmou que a indústria do lítio deve ser fomentada. Ele lembrou que se deve tomar como exemplo o fomento à energia solar fotovoltaica, que foi expandida após o marco legal estabelecido e os incentivos, além das linhas de crédito para os empreendimentos. O engenheiro eletricista Guilherme Veloso afirmou que professores da Universidade Estadual de Montes Claros (Unimontes) pretendem criar um centro de geração de energia na instituição. Ele sugeriu que a Assembleia proponha à instituição que fossem desenvolvidos também sistemas de armazenamento.

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